Barão: 72 anos de muitas historias e estórias esquecidas… Porque tanto desprezo? (difícil de entender)
DO JORNAL INTEGRAÇÃO (por Warney Smith Silva)
Neste 30 de dezembro, como poucos sabem, faz 72 anos que Hélio Leonardi e uma comitiva de moradores receberam o título de “Distrito Barão de Geraldo” na Assembleia Legislativa de São Paulo. Porém, como vila rural e localização, Barão Geraldo surgiu mais de 30 anos ANTES, logo após a inauguração da Estação Barão Geraldo em setembro de 1926, quando o “vendeiro” Plínio Aveniente vendeu a primeira chácara de 7 alqueires de suas terras (de 22 alqueires, que engloba todo o atual centro de Barão) para Luis Vicentin (entre a rua do Terminal e a rua Benedito Alves Aranha (do Pague Menos). Depois dele, várias outras famílias compraram todas as suas terras até os anos 1930. (essas informações me foram dadas por mais de 20 dos pioneiros de Barão, muitas delas gravadas). E como sempre, nenhuma festa ou comemoração pelo distrito como eram feitas até os anos 1990 e como são realizadas em outros distritos e bairros.
Importante lembrar que nenhuma dessas terras pertenciam à Fazenda Santa Genebra que foi do Barão Geraldo até 1905. Pois a Fazenda Santa Genebra só começou a lotear e até doar partes, a partir dos anos 1960, após a vinda da Unicamp. Portanto, Barão Geraldo NÃO FOI CRIADA NAS TERRAS DO BARÃO GERALDO como insistem em repetir ou dizer por aí. Então, porque Barão Geraldo ficou com esse nome? Simples: POR CAUSA DA ESTAÇÃO. Embora sem prédio desde 1899, a Estação só passou a se chamar Barão Geraldo 6 meses após o falecimento dele, no dia da fundação do Mercadão de Campinas (12/4/1908). Mas só em 1915, a estação ganhou uma primeira “guarita” (ainda sem nenhuma vila) – e seu nome no Mapa Ferroviário do Estado, quando ficou conhecida. Mas somente após inaugurada a Estação em 1926 – há 99 anos atrás – é que surgiu uma pequena vila ao lado da Estação Barão Geraldo, com apenas 4 famílias e menos de 50 habitantes. A Estação portanto era a maior referência local até ser desativada em 1960.
O prédio da Estação que deu o nome ao distrito, vai completar 100 anos totalmente desconhecida e desprezada, sendo um marco no desenvolvimento da zona norte de Campinas. Como aceitar esse esquecimento? E porque a Estação – assim como o Complexo cafeeiro da Fazenda Santa Genebra, intacto há 150 anos e o antes consagrado “Capão do Boi – não são protegidos e preservados, nem fazem parte do Turismo e da História de Campinas, como já foi solicitado inúmeras vezes?
Além disso, a Unicamp promoveu duas enormes expansões que causaram grandes mudanças drásticas em Barão Geraldo. A primeira nos anos 1970, quando desapropriaram a enorme área Hospitalar para a construção do Hospital de Clínicas (na mesma época das doações para a construção do Centro Médico e Boldrini e também do CEASA) e que valorizaram e induziram dezenas de novos bairros e loteamentos. E a segunda agora, com a criação do HIDS e seu prolongamento “legal” (isto é, por leis), que é o PIDS (Polo de Inovação e Desenvolvimento Sustentável) que vai ampliar a Unicamp e outras empresas até a rodovia SP340 com uma grande avenida ligando o Bosque das Palmeiras até o Shopping D. Pedro. Além da próxima “Autarquização” – que não sabemos o que irá causar para nós.
Ora mesmo após duas grandes expansões, cadê as contrapartidas? No começo, o povo de Barão vivia muito agradecido e seguro ao menos por causa do H.C. que atendia todos daqui facilmente, além dos empregos e valorização imobiliária. Agora, a Unicamp só nos dá o excesso de novos loteamentos e de especulação imobiliária! Porque a Unicamp PELO MENOS não reconhece, preserva e fortalece a História dos pioneiros de Barão Geraldo que, praticamente só com trabalho braçal, sem estudos, lutaram duramente para “fazer Barão Geraldo crescer”, como dona Maria Páttaro Leonardi contou que os moradores falavam lá nos anos 1940, e também que entraram na briga para “trazer a Unicamp pra cá” como disseram seu Manoel Sidrônio e Zulmiro Fernandes, em entrevistas ao nosso projeto para o Centro de Memória Unicamp? Enfim, será que não irão fazer nenhuma contrapartida? Nem um posto de saúde? Nem o reconhecimento da História Local ajudando no Turismo e nas preservações acima citadas?
E pior: Nem mesmo a mídia de Campinas também nada fala da História e do aniversário de Barão ? Será que só o fazem a pedido ou induzida pela Comunicação da Prefeitura e da Câmara? Nem mesmo a lenda do Boi venerada hoje, é a mesma que os antigos baronenses contavam? Porque tanto desprezo e esquecimento?
E esse desprezo e o esquecimento não ocorre apenas em relação à Memória e História. Basta abrir qualquer rede social ou postagem sobre Barão para vemos inúmeras e constantes reclamações de que “Barão está abandonado”, “Barão já foi bom”, “Cadê a Subprefeitura?”, e geralmente culpam só o subprefeito, ou reclamam que os vereadores “só aparecem de 4 em 4 anos”. As áreas de Segurança e de Trânsito são as mais reclamadas: excesso de carros, acidentes, muitos furtos, poucos ônibus, pouco policiamento, Resgate do Efraim, etc. Também o forte crescimento de loteamentos e prédios, e derrubada de árvores; a falta de uma UPA 24h e o posto saúde na Região da Mata S. Genebra são assuntos sempre mais reclamados, mas sempre desprezados.
É claro que as autoridades tem peso de culpa nesse desprezo. Mas há também o outro lado: o nosso individualismo: a falta de união dos moradores para irem reclamar o que falta e a fraqueza de nossas lideranças. Ambas devido ao desconhecimento e discordâncias entre si e à grande diversidade de culturas e idades. Só com união podemos conquistar essas melhorias.
Além dessas, pedimos a todos: vamos nos unir também para preservar o que resta de nosso patrimônio Histórico, as dezenas de lendas antigas de Barão, e também a História real (que poucos viveram) e promover o Turismo em Barão em todas as suas áreas, também como forma de trazer renda para Barão. Porque a demanda é gigantesca e nada explorada.
Warney Smith Silva, historiador pós graduado em Educação Patrimonial e autor do livro “Barão Geraldo: a luta pela autonomia” , pela editora Pontes .




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