Creche do S. Genebra faz festa de encerramento enfocando a infância Guarani Mbya
Atividade encerrou o semestre letivo com a participação dos pais e duas mulheres indígenas
Com palmas, sorrisos e muitos aprendizados, os alunos do Centro de Educação Infantil (CEI) Leonor Mota Zuppi, (mais conhecida como creche do Sta Genebra), encerraram o semestre letivo com uma aula sobre como é a infância de uma criança indígena. Para isso, foi preparado um evento com a participação dos indígenas Lu Ahamy e Awa Mbarete, foram realizadas oficinas temáticas e para celebrar o momento, pratos típicos da cultura indígena foram preparados e servidos.
“Nosso objetivo foi criar um espaço de vivência, escuta e troca, onde a cultura e a infância caminham juntas”, explicou a diretora do CEI, Leila Cristina Borges Schmidt, 48 anos.
As famílias dos alunos foram convidadas para o evento que começou com um bate-papo com as indígenas que contaram um pouco como é a infância dos pequenos originários em uma aldeia, quais são os seus brinquedos, como são os cuidados e tudo o que faz parte do universo infantil.
O evento celebrou as culturas dos povos originários trazendo alimentos tradicionais para serem assados em uma fogueira, como milho e batata-doce. Os convidados também puderam participar de um encontro com a cultura Guarani Mbyá, por meio de uma oficina de confecção de piões de cabaça, um brinquedo tradicional que faz parte da infância Guarani, feito a partir de elementos naturais.
“A importância de estar em uma escola com crianças tão pequenas vai muito além do só estar, é ancestral, a criança traz sabedoria. Quando estamos nesses espaços, sabemos que vamos conseguir atingir o que precisamos: que elas entendam e sintam quem somos. Nós estamos aqui, não somos algo que ficou no passado. Temos um passado, mas o presente e o futuro continuam sendo ancestrais”, explica Lu Ahamy, 50 anos, Guerreira Mbya, da Aldeia Tekoa Rio Silveiras, em Bertioga, São Paulo.
Oficinas
Os pequenos alunos aproveitaram o tempo com as originárias para conhecer um pouco da cultura indígena. Maria Júlia Salles, de 3 anos, participou da oficina de peão realizada pela Lu Ahamy. “Hoje eu fiz um pião, pintei minha cabaça, comi e brinquei de instrumento”, disse a menina.
Os diferentes espaços do CEI foram transformados para a realização das atividades. A horta, nomeada Karu Porã – que em tupi-guarani significa “comer bem” ou “boa refeição”, recebeu uma oficina de Bomba de Semente.
“Nós trabalhamos com uma porção de argila, outra de húmus de minhoca, uma de terra vegetal e a semente em questão, agora estamos usando a de girassol. Montamos uma bolinha com esses ingredientes, quando vamos plantar ela vai auxiliar no processo de crescimento das plantas”, explicou a agente de educação infantil, Edlene de Moraes, de 57 anos.
Lucas Salles, 36 anos, pai da aluna Maria Júlia, aproveitou para conhecer mais os professores de sua filha. “Vir na escola hoje está sendo uma experiência bem legal. Observar a empolgação das crianças em querer mostrar a escola e contar o que eles prepararam para essa festa. Será uma ótima lembrança por um bom tempo”, contou.

Lu Ahamy: “Temos um passado, mas o presente e o futuro continuam sendo ancestrais”

Lucas Salles e Maria Júlia com o pião de cabaça, brinquedo tradicional que faz parte da infância Guarani



Publicar comentário