Estado de SP nega fazer um “Bom Prato” no H.C. por não ser público “vulnerável”
A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social negou a implantação de um restaurante Bom Prato (de R$ 1,00) na área hospitalar da Unicamp por não considerar que trata-se de uma população alvo, além de outros requisitos. Há 3 anos a Secretaria, na gestão de João Dória (2018) havia concordado porém – como é norma do programa – a Unicamp deveria bancar parte dos custos que alegou não ter condições e sugeriu que os municípios que trazem pacientes se cotizassem (veja abaixo).
Conforme a nota da Secretaria de 3/3 a implantação de um “Bom Prato” obedece a uma série de parâmetros, considerando principalmente o atendimento prioritário à “população em vulnerabilidade social para o enfrentamento à fome e insegurança alimentar“.
A Secretaria considerou apenas alunos como público que já são atendidos pela universidade: “Alunos em situação de vulnerabilidade já contam com um restaurante terceirizado no local, que cobra cerca de R$ 3 a refeição“, diz nota da pasta sem fazer considerações aos demais públicos. ( Cada almoço ou jantar no Bom Prato custa R$ 1, e o valor do café da manhã é de R$ 0,50. O programa é voltado para pessoas desempregadas, sem renda ou que tenham renda mínima, além de moradores em situação de rua que têm direito à gratuidade quando estão cadastrados pela prefeitura.)
Atualmente, conforme a Secretaria informou o único Bom Prato de Campinas fica na av. Moraes Sales, no Centro, e serve uma média de 54 mil refeições por mês. Mas conforme a nota também a secretaria alegou que iniciou estudos sobre implantação de novas unidades no interior de São Paulo, embora os municípios também precisam atender critérios do programa e destinar orçamento para o restaurante.

A problemática dos ambulantes na área hospitalar
A Unicamp havia solicitado a implantação de um “Bom Prato” em 2018 pela gestão do ex-reitor Marcelo Knobel por dois motivos: para atender as necessidades dos usuários do sistema hospitalar trazidos por dezenas de municípios até de outros Estados. A grande maioria em situação de vulnerabilidade. E também para se livrarem de parte dos vendedores ambulantes de alimentos que a Coordenação da área hospitalar considera insalubre ou “insegura” – com possibilidade de contaminação e quer retirar da área. O restaurante ficaria próximo ao CAISM que são atendidos pelo hospital.
Mas em 2021, quando a Secretaria solicitou que a Universidade bancasse parte dos custos, a Unicamp propôs que os municípios que trazem pacientes para a área de saúde da Universidade, participasse em rateio dos custos do restaurante.
Após essa decisão a Assessoria de Comunicação da Unicamp, em nota, lamentou a decisão e disse que a Universidade já está desenvolvendo outros planos para resolver a situação: “No caso da Unicamp, o público-alvo, constituído, prioritariamente, por beneficiários e acompanhantes da área de saúde, em situação de vulnerabilidade social, não é oriundo apenas do município de Campinas, mas de uma macrorregião que congrega pelo menos 86 municípios, podendo ainda incluir outras áreas do estado de São Paulo e do Brasil. Assim, a implantação do programa no campus de Campinas exige a ação coordenada deste conjunto de instituições“, informava nota da assessoria da universidade ao fazer referência sobre uma resolução do próprio governo de São Paulo em que ela indica a possibilidade das prefeituras atuarem como parceiras no custeio das refeições.

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