Parte de Barão rejeita projeto inicial do P.I.D.S. e querem contrapartidas – Pessoas já podem participar on line
Na sexta passada, 11 /11, as secretárias de Planejamento e Urbanismo, Carolina Baracat Lazinho e de Desenvolvimento Econômico Adriana Flosi vieram apresentar o projeto inicial de mudança de zoneamento para a grande área que está sendo chamada de PIDS (Polo de Inovação e Desenvolvimento Integrado) que engloba o novo H.I.D.S. da Unicamp e outras empresas. Porém houve várias recusas à mudança de zoneamento, manifestações e críticas ao projeto, elaborado a partir de um modelo de Polo, no mesmo nível, da Coréia do Sul. O encontro foi o último de quatro realizados sobre o projeto que visa aplicar um novo conceito de planejamento urbano para a ocupação da região de 17 milhões de metros quadrados localizada em área contigua às universidades e empresas de alta tecnologia de Barão Geraldo.
A apresentação foi realizada pela equipe da Secretaria de Planejamento e Urbanismo (Seplurb) que elaborou o projeto no salão paroquial da Igreja Santa Isabel. Trata-se de um projeto inicial, para discussão com diversas representações dos coletivos da comunidade, antes de ser encaminhado à Câmara para as deliberações finais. A reunião contou também com a presença da vereadora Paola Miguel (PT).
Inicialmente um grupo de moradores, liderado pelo ambientalista Manuel Rosa Bueno, tentou impedir o início ou a efetivação do debate, alegando que não poderia ser uma audiência pública, sem uma convocação oficial, feita com mais tempo hábil, para os moradores se informarem e serem convocados antes de participar, como manda a lei, sob pena de ser invalidado pela justiça. Manuel pedia e tentou falar no microfone com a plateia antes das Secretárias que por sua vez diziam que ele estava enganado, que não era uma audiência e que ele teria sua vez de falar e também seria convocado a fazer parte das discussões do plano. Houve uma discussão de vários minutos entre eles e só depois de Manuel falar alto para a plateia, sem microfone, é que conseguiram fazer um acordo para começar.
Junto, a secretária Adriana Flosi iniciou dizendo que apenas iriam apresentar o projeto inicial elaborado a partir das diversas entidades que integram o H.I.D.S. (2 universidades, faculdades e Institutos de pesquisa) e de levantamentos feitos “Trata-se de um projeto inovador e coletivo e sei que a maioria das pessoas tem dificuldade com as mudanças. Mas todos terão oportunidade de falar e colocar suas considerações para serem agregados ao projeto. E depois de passar pela Câmara é que teremos as audiências públicas“. Adriana então pedia para o grupo que protestava para se sentarem e ouvirem a proposta, e depois iriam abrir a palavra a todos “de forma educada e republicana” fazerem suas considerações que serão incorporadas.
Flosi salientou que a reunião foi convocada apenas para apresentação desse projeto e recolhimento das considerações dos moradores para posterior elaboração do projeto de lei que será discutido em 2023 na Câmara e nas comunidades. “Quero dar parabéns à equipe da SEPLURB especialmente pelas arquitetas Érica e Conceição , funcionárias de carreira extremamente empenhadas na construção desse projeto e que nós fomos convidados pelo BID (Banco Interamericano, financiador do Projeto HIDS, que integra o PIDS) a fazer parte dessa “missão” junto com a Unicamp, e Puccamp e para buscarmos exemplos e conhecimentos pois não existe tecnologia sem olharmos primeiro para as pessoas e é dessa forma que queremos fazer“.

as secretárias Adriana Flosi (Desenv. Econômico) e Carolina Baracat Lazinho (Seplurb) no início da reunião
Projeto quer mudança de Zoneamento para uso misto
Antes, a secretária Carolina lembrou que a área coberta pela proposta é um dos três Polos Estratégicos de Desenvolvimento do município e explicou que o projeto substituía a proposta do CIATEC2 e engloba a área do HIDS (Hub Internacional de Desenvolvimento Sustentável) – composto pela Puccamp, Unicamp, Telebras, CNPEM, Boldrini, Santander e diversas outras empresas e coordenado por uma comissão composta por Unicamp, Governo do Estado, Prefeitura e várias empresas e com apoio financeiro e profissional do B.I.D. Banco Interamericano de Desenvolvimento. lembrou que a área coberta pela proposta é um dos três Polos Estratégicos de Desenvolvimento do município.
A apresentação foi feita pela arquiteta Érica Pacheco, que coordena a equipe do P.I.D.S. na Secretaria. Ela iniciou com a questão chave: O novo Plano Diretor de Campinas ampliou o perímetro urbano nessa região pela lei 207 e pela lei seguinte, a Lei de Zoneamento, nº 208 estabeleceu essa região como Z.A.E. – Zona de Atividade Econômica – que proíbe a construção ou existência de moradias. “O que é incompatível com um Polo de Desenvolvimento que requer mescla de usos e espaços que fomentem a criatividade e a inovação.” – disse Érica. Segundo ela, o próprio Plano Diretor de Barão, de 1996, já determina o uso misto nesse território. E desde 2018 a Prefeitura vem trabalhando sobre o território não apenas presencialmente, com as empresas e proprietários locais, mas também a partir do “masterplan” do BID que entrou como financiador do projeto em 2019. Além disso, o próprio B.I.D. exigiu que vários escritórios e consultorias de planejamento urbano internacionais fossem inseridos no projeto e que a equipe conhecesse um Polo de desenvolvimento já existente em Seul, capital da Coreia, como exemplo. E com base nisso a Secretaria elaborou essa proposta “para sentir o que voces acham antes de qualquer procedimento legal“.
Conforme a apresentação, o que a equipe notou no polo de Seul é que os espaços públicos são de uma “qualidade invejável” que devem ter qualidades que façam as pessoas gostarem de estar. Algumas características de lá foram notadas pela equipe e incorporadas , como calçadas largas, arborizadas e adequadas ao trânsito de pedestres que devem ser a prioridade, também a ênfase de “espaços de fruição pública” (particulares, mas de uso público), “e quando falamos de um dinamismo, de pessoas na rua, precisamos de uma densidade populacional mínima. E uma área com pouca gente morando não vai atrair negócios, empresas e isso, ao contrário do que se pensa, aumenta a mobilidade e por isso, o que nós propomos é mudar esse paradigma, com edifícios multifamiliares, mistos e menos muros de condomínios. Para isso que propomos que os parcelamentos de solo nesse território tenha um percentual de áreas públicas maior que a gente exige no restante de Campinas, onde as calçadas são péssimas porque determinadas por obras de cada imóvel) e que priorizem os pedestres nas ruas. “Estamos perdendo espaços de convívio, de cidadania“. Outro conceito do projeto é que os recuos nessa área sejam funcionais, não obrigatórios, para oferecer melhor uso dos espaços públicos e privados para os pedestres.

“Verticalização” na área do PIDS com 7 pavimentos e Edifício “Icônico”
Érica Pacheco explicou que para a construção do polo, o modelo urbanístico une a implantação de novos modelos de moradia, de negócios na área de ciência e tecnologia, serviços, lazer e cultura com parâmetros inovadores apoiados na sustentabilidade. A mudança do zoneamento que apenas permite empreendimentos para uma zona mista é a base para a construção do ecossistema de inovação para a gestão daquele território.
O projeto também prevê a verticalização até 7 pavimentos que segundo Érica, já é permitido em Barão Geraldo. (ao contrário do Plano Diretor de Barão que só permite edifícios até 4 pavimentos). A arquiteta porém disse que é comprovado que em prédios até o 5º andar, os moradores tem uma relação melhor com quem está nas ruas e calçadas. “A ideia é que se tenha essa verticalização até 7 pavimentos de uma forma equilibrada e combinar com o entorno“. Segundo Érika é necessário que haja espaço para moradias porque “a população de Barão cresce. As pessoas vem estudar , fazer pesquisa e ficam por aqui, as pessoas tem filhos que querem morar por aqui também o que é um processo natural. Então é melhor fazermos isso de forma organizada“.
Entretanto o projeto prevê também a possibilidade de um “edifício icônico” que seria um edifício sem limite de pavimentos e que seria uma espécie de “cartão postal” mas que fosse de forma harmonica com o todo. “Vai ter uma equipe multidisciplinar analisando essas coisas e não de uma cabecinha só de nós técnicos. e sim dentro de um colegiado de análise“. Essa proposta foi recebida de forma bastante negativa pela plateia.
Áreas Públicas
Érica Pacheco disse que para as áreas públicas a Secretaria propõe além dos parques em várzeas, das áreas de APPs e Parque Linear do Anhumas , propoem que o loteamento siga melhoramentos ambientais como calcadas drenantes, jardins de chuva, (que impedem o escoamento tudo de uma vez das chuvas para os córregos) e que no inverno são mais agradáveis do que uma área totalmente impermeabilizada. Ela também defende uma soma de parques públicos junto com áreas comerciais e de serviços: “…porque ali você toma café, lê um livro e há um espaço para conviver com vizinhos.” Além disso toda a fiação será enterrada para tirar a poluição visual. “Tudo isso atrelado a Projetos inovadores que superem os 6% de área pública, ou superem o que já foi colocado que serão beneficiados que é uma ideia para convidar o mercado imobiliário a participar de uma ideia urbanística ousada” – disse ela.
Diversas diretrizes Viárias (novas ruas e avenidas)
O projeto também prevê a construção de um emaranhado de mais de 10 novas ruas e avenidas, segundo Érica, a partir do Plano Diretor porque, ao longo desses anos, muitas novas áreas locais foram registradas na prefeitura, o que ampliou os detalhes do conhecimento topográfico da região. “Estamos propondo uma série de locais e acessos para essa região. Algumas que seriam duplicadas e outras que seriam novos acessos. Feitos em interface e a partir do masterplan do B.I.D., foi notado a necessidade de uma “ligação norte-sul” (provavelmente com a rodovia D. Pedro I) para “desafogar o trânsito tanto na Estrada da Rhodia quanto na Adhemar de Barros (estrada de Mogi)“.
” A proposta é dar mais qualidade de vida para as pessoas que irão morar e andar na cidade e vocês acham que é fácil essa construção? Não. Todo processo democrático e trabalhoso e construído com os moradores. A maioria das propriedades locais são áreas particulares.” – disse Baracat que lembrou que a própria Unicamp criou um curso de especialização para discutir apenas essa proposta.
“Você acha que o mercado imobiliário está gostando com tantos critérios mais restritivos? Critérios ambientais, de alargar calçadas, prédios mais baixos, não murados?”… “Estamos fervorosos nessa proposta porque Campinas precisa de bairros planejados com toda a sustentabilidade, baseados nos 17 objetivos da ONU e de projetos e soluções baseados na Natureza. Esse é o conceito desse projeto. ” – Érica fechou assim a apresentação do projeto.
Críticas e propostas da plateia
Bueno: necessidade de mais tempo para convocação e de respeito
Após a apresentação, foi aberta a palavra e alguns moradores puderam expor seus pontos de vista. O primeiro, é claro, foi Manuel Rosa Bueno que disse que a reunião não foi convocada com a devida antecedência e que os presentes só ficaram sabendo pela convocação feita pelas redes sociais pelo grupo deles. “Não haveria esse montante de pessoas aqui se não fosse por nossa convocação. Tivemos apenas uma notícia ontem, pelo Jornal de Barão, e hoje pelo Correio Popular. Mas com certeza essa reunião não teria tido esse numero se não tivéssemos nós convocado” (o que foi seguido de muitos aplausos).
Bueno disse também que toda reunião sobre zoneamento por obrigação deve ser amplamente divulgada porque ela não é “inocente” ou gratuita, mas pretende através dela dizer que houve participação da população, e também a conformação da população com o projeto “e depois assumir isso como um projeto participativo, o que não é.” Bueno também disse que não havia nenhum representante do HIDS e não houve consenso na Unicamp pela expansão feita pela Prefeitura dos 11,4 Km² do HIDS para os 17 km² do PIDS. “Ou seja a Prefeitura expandiu para o Norte, até o Bosque das Palmeiras esse projeto que era da Unicamp, e que mesmo a própria Unicamp deveria discutir com a população esse projeto, porque nós aqui em Barão Geraldo seremos diretamente impactados com esse projeto. Nós teremos 3 vezes a área ocupada de Barão atualmente! 3 vezes!…”
Manuel lembrou também quando foi discutido o Plano Diretor no mesmo Salão Paroquial, que estava lotado: “Porque lembramos das discussões do “Plano Diretor no mesmo Salão Paroquial, que estava lotado, eles vieram colheram algumas demandas da população, fizeram 10 equipes aqui e essas 10 equipes tiveram 3 demandas unânimes que foram: não expansão do perímetro urbano, a criação do Parque do Rio das Pedras e a não verticalização de Barão Geraldo. Essas foram as demandas que a gente tirou e não foram respeitadas, o secretario de planejamento na época fez uma “mis-en-cene”, chamou a Guarda Municipal e saiu daqui escoltado, como se nós de Barão Geraldo fossemos agredi-lo, Foi uma ofensa que ele fez aqui!. E no dia seguinte “Barão Geraldo rejeita Plano Diretor” foi a manchete principal do Correio Popular. Então temos uma história de falta de respeito da Prefeitura com relação à nossa vontade“.
Manuel disse que o grupo dele, de moradores preocupados com a qualidade de vida, irão convocar uma nova reunião: “nós de Barão vamos chamar uma reunião e a Prefeitura será convocada para discutir de uma forma democrática e não o que está acontecendo aqui.” De imediato, a secretária chamou Manuel para ser “nosso ponto de interlocução com a população de Barão” e de intermediar a relação do projeto com a população.
“Um projeto utópico de um “Novo Barão”
Também Ana Paula Scatolin, Conselheira de Saúde, disse que ficou sabendo pelo subprefeito Kaise, que informou quando compareceu na reunião do Conselho de Saúde e iniciou com uma ironia: “Achei o projeto é muito lindo, de um novo Barão Geraldo, porque esse não deu certo ne?“.
Scatolin lembrou que Barão é um distrito com 70.000 habitantes com apenas um posto de saúde (sic), não tem uma UPA 24h, “e vocês fazem um modelo de cidade maravilhoso. “Que vai acontecer com Barão Geraldo que vai ficar aqui atrás? Vai ter algum investimento pra esse Barão aqui? E outra questão Para que mais IPTU? Se voces não dão conta de um território de 9km2 e querem dar conta de mais 17km2? Eu não vejo isso, Isso é uma utopia, usar o povo de Seul. Quantos de voces aqui andam de transporte público aqui em Campinas? Já viram que maravilha de transporte publico? Então vender essa maravilha desse sonho utópico, eu não engulo“. – declarou ela.
Victor, vice presidente do CONDEMA disse que isso ja foi feito várias vezes em Campinas. “Temos a melhor tecnologia do mundo e do planeta, o melhor aeroporto do mundo, do universo!” e nós sabemos qual o resultado! Triplicar a área urbana de Barão Geraldo é absurdo! Portanto a resposta é não! (ganhou uma salva de palmas) Victor disse que não iria repetir a argumentação que Manuel já disse. Mas questionou que eles que fizeram a convocação, eles que tem as listas de presenças e também eles que podem encaminhar junto à Prefeitura e também: “Nós temos um power point que tem o descaramento de apresentar prédios de 7 andares, sendo que em Barão Geraldo, a legislação só permite 4 pavimentos. Então já vem embutido, sem nenhuma dúvida, aquilo que é especulação imobiliária! Não dá pra segurar o progresso, mas também aceitar o progresso nesse nível de barbaridade também não dá“.
Rodrigo: “Isso é humano?”
Rodrigo, disse que é morador de Barão e falou chorando, ficando difícil pra entender o que dizia. Questionou qual o impacto para as próximas gerações e o impacto nos ecossistemas de Barão. “Falou ao mesmo tempo que chorava: “Eu com minha filha eu vejo araras no meu bairro, vejo sagui, capivara… Eu vejo uma “ambição com (esse) projeto, com caráter industrial, então eu queria entender. A população de Barão Geraldo necessita disso nesse local? To preocupado O que vai ser o futuro? Eu vejo muita ambição! Qual a intenção? E a população de B.G. ou é o meio industrial, incorporadores, pra poder negociar grandes terrenos?”
Rodrigo lamentou que irá deseaparecer uma paisagem rural que curte e mostra para sua filha e terá de ver industrias, prédios: “E a população de B.G.? Pra onde a gente vai? Isso é humano?” Em sua fala emocionada ficaram prejudicadas muitas palavras que disse. Porém o sentimento de perda que passou ficou bastante claro.
A secretaria Carolina pediu calma a Rodrigo e repetiu que a Zona de Atividade Econômica já existe na lei desde 2019 e o que a Secretaria pretende é fomentar que sejam empresas de Ciência , Tecnologia e Inovação que não causem impacto E que é uma necessidade dos grandes laboratórios que já estão ai! Não de Barão.
Hidalgo: Sobre a necessidade de grandes contrapartidas
Hidalgo Homero disse que nasceu em Barão e mora no Real Parque e concorda com o que as pessoas falaram. O crescimento urbano é inevitável e concordo que é papel do Poder Publico regrar e planejar a esse respeito, e que a pressão econômica sobre essas atividades é absolutamente violenta e se o poder público não tiver um planejamento seria pior. Então disse que não era nem contra nem a favor da proposta. Mas que concorda com os que disseram antes que Barão tem um trânsito, uma mobilidade urbana e saude insustentável. “È muito irresponsável pensar num (projeto?) desse porte que certamente recebe uma pressão muito grande do setor imobiliário, sem olhar para o resto do território que vivemos (recebeu muitos aplausos).
Romero disse que, de todas as coisas, o que mais importa a ele é saber “Qual a contrapartida que o setor imobiliário vai dar para Barão Geraldo? Porque temos a Mata de Santa Genebra, a 2ª maior mata urbana do país que está lá confinada. Que não pode se interligar por Corredores ecológicos. E o nosso Parque do Rio das Pedras? Será parcelado? O Parque no Rio das Pedras é de interesse público!” A Fazenda aqui vai se tornar um parque para todos daqui usufruirem e os de lá também? E o Parque Linear Rio das Pedras que tem uns 7km e tem contaminação de combustível de gasolina! Vamos revitalizar esse parque também? Então o importante é saber cadê a contrapartida para esse grande crescimento? ” – questionou Hidalgo.
Marcela: Grande perda de qualidade de vida
Em seguida a presidente do PSOL Campinas, Marcela Moreira, também moradora no Jd. São Gonçalo, parabenizou os moradores que foram ao local e também criticou a falta de divulgação e que a secretaria diz que quer conversar com os moradores mas não fez divulgação a tempo. “Nem a propaganda mais tradicional que temos aqui, de colocar uma faixa na entrada do Distrito foi colocada“! Marcela disse que os moradores de Barão estão acostumados em ver Barão Geraldo crescer sem haver nenhum benefício de políticas publicas como contrapartida. “Nosso distrito cresce e nós não temos nem uma UPA, nós não temos escolas, museus, não temos melhorias no transporte público. Muito pelo contrário, o transporte público não atende os interesses dos usuários e sim dos empresários. Então estamos cansados de ver o crescimento desse distrito e a perda de nossa qualidade de vida e nossa biodiversidade.” Marcela salientou que não estamos aqui discutindo a construção de “corredores verdes” desde a Mata Santa Genebra, a Fazenda Rio das Pedras e a questão de uma APA. “estamos discutindo aqui impermeabilização do solo! Não adianta falar que vai ter amplas calçadas porque a única coisa que vi de partilha aqui foi (o parque?) das águas. Mas não esta claro aqui como vai ser o transporte publico, a construção de corredores verdes, não ta claro como voce vai garantir a preservação e valorização de nossas matas ciliares! Porque nossos córregos na verdade são esgotos a céu aberto, porque ha um crescimento sem planejamento (e sem) atender os interesses da população“.
Marcela disse que a população de Barão Geraldo compareceu para dizer que não quer mais do mesmo, não quer desenvolvimento e inovação porque não é uma coisa que agrega `à vida delas. “O que nós temos é um transito insustentável de manhã e no final da tarde , falta de vagas no Centro de Saúde, de vagas nas creches, o que nós temos é nossos animais morrendo atropelados na Zeferino Vaz ou Estrada da Rhodia. É isso que temos! Enquanto isso, um avanço de condomínios privados! A gente quer desenvolvimento porém deixar de pagar caro pra morar em Barão Geraldo e deixar de ter qualidade de vida, sem ter nenhum direito enquanto especuladores estão ganhando dinheiro aqui“.
Por fim Marcela disse que essa parte da população irá continuar organizada porque “…não iremos aceitar que nosso distrito seja tratado apenas para atender os interesses da especulação imobiliária”. (também bastante aplaudida).
Alê Freire: “Consciência” e “Inteligência Ambiental” (conceitos da COP 27)
O morador Alexandre Freire disse que não há duvida que o processo tem que ser participativo e, além disso, tem que ser em outro horário “Esse horário à tarde é impraticável, porque é horário de trabalho normal das pessoas.” Segundo Freire, Campinas tem um histórico muito ruim por ser refém da especulação imobiliária. “Por exemplo o Cambuí virando um “palmiteiro horroroso”, Nova Campinas indo no mesmo caminho Mansões e aqui também o que se vê é um projeto em que alguns prédios que não tem limite de altura. Até onde vai esse padrão?“
Alexandre disse que hoje é comprovado ou muito provável que a pandemia dos Coronavirus tenha sido causada pelo gigantesco impacto humano ao meio ambiente. “Será que agora, após 2 anos e meio de pandemia mundial, nos daremos conta disso?”
Ele lembrou que estamos na semana da COP27 e que ele trabalha com inovação e acha que “a inovação é uma ferramenta importante desde que tenhamos uma relação melhor com nossa mãe Terra “Temos que ter isso como ponto básico. Muitas doenças tem sido causadas pelo nosso impacto ambiental. Se falarmos em Economia, o Banco Mundial já estabeleceu que melhorar nossa relação com a Terra é a coisa mais importante hoje pra melhorar a economia do mundo e isso está entre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável” (os 17 ODS da Agenda 2030 que norteia o HIDS , inclusive.)
Alexandre lembrou do rapaz que falou que tem dúvidas se a filha dele conseguirá, no futuro, ver cavalos e outros bichos em Barão Geraldo E que isso é importante para essa nova geração “Quando a gente vai começar a se conscientizar disso? De que o projeto do Parque de Barão é tão importante quanto um projeto de inovação? Agora vamos ter que ter acesso a internet para conseguir ver o horizonte por exemplo?” Freire disse que mora num dos poucos lugares de Campinas que ainda dá pra ver o horizonte. E esse projeto vai acabar com isso porque as paredes vão cobrir. “Quando vamos ter consciência de que isso e revoltante, que nossa relação com a terra tem que mudar radicalmente?“
Ele citou o exemplo de pessoas que trabalham com inovação estão trabalhando de casa e nem todas precisam queimar combustível fóssil para isso. ENtão tudo o que deveríamos ter aprendido nesses 2 anos e meio . “Na COP27 está se falando da necessidade de “inteligência climática”. Gente Isso é pra ontem! A gente precisa ter uma relação radicalmente diferente com a terra ! Isso é ser moderno! E eu me pergunto onde esta a modernidade nisso ai? “
Por um processo realmente participativo, pediu Romão
O professor de Política do I.F.C.H. (Unicamp) Wagner Romão questionou várias coisas. A primeira delas foi a manchete publicada no jornal Correio Popular do mesmo dia de que o PIDS iria melhorar o trânsito de Barão Geraldo “È muito ruim já virmos pra essa reunião com uma manchete dessas, como se a coisa já estivesse decidida e já acontecendo. Isso é um sintoma de que começamos mal o processo de participação e por isso sugiro que a Prefeitura tenha mais cuidado com o Correio Popular que acaba sendo uma espécie de Diario Oficial do Municipio“.
A segunda questão é a necessidade de diferenciação entre a Unicamp, o HIDS e o projeto que a Prefeitura esta apresentando “As coisas ficam muito emboladas, misturadas”.
Wagner também questiona o calendário de 2 meses , até janeiro, para captação e inserção de propostas via on line, seguido depois de uma audiência pública no dia 24 de janeiro como um processo de participação popular, porque para ele muito pouca gente está tratando de uma área estratégica não apenas para Campinas “Acho muito importante que esse processo participativo seja melhor elaborado para que as pessoas dos bairros da região (Piracambaia, Village, Bosque das Palmeiras, Vale das Garças) possam participar e inclusive os moradores do Carlos Gomes, Jd Myrian, Gargantilha que possam também ser chamadas para entender, se colocar, e opinar o que está sendo feito. Mas não podemos considerar esse pedaço da cidade como apartado da cidade e da região” – declarou.
Romão também diz que todo projeto desse tem pouca gente que se beneficia muito em termos de capital, do que aqueles que irão morar ou viver no loteamento. “Então queremos saber quem são os proprietários dessas áreas , quais os benefícios que eles terão, se já foram feito levantamentos de qual é a previsão do negócio do loteamento, se é viável economicamente… São informações muito importantes por que aí vem a questão da contrapartida”.
Ele lembrou que já há 3 corredores ecológicos parados na Secretaria do Verde, desde 2016, que são propostos para Barão Geraldo que não saíram do papel “e não ha nada que diga que eles vão sair do papel“. Segundo Romão, saber isso é importante porque cai na questão da contrapartida “Não podemos ter uma Barão Geraldo rica, bem arborizada, com tudo bonitinho e uma área pobre de Barão Geraldo. Temos que pensar isso para que o distrito seja um todo bem articulado“. -declarou ele. Que ainda lembrou dos cuidados necessários com impactos no subsolo na região devido ao laboratório síncrotron, que pode ser impactado pela rodovia SP340 e espera que nos próximos encontros haja realmente um processo participativo.

A vereadora Paola (PT) marcou presença e se disse a disposição
Silva: Necessidade de preservar a Historia Local para as próximas gerações
Na sequência o historiador Warney Silva disse que queria ressaltar a questão histórica que nunca é lembrada em discussões sobre o planejamento urbano. Ele lembrou o caso do projeto do Parque Rio das Pedras que foi abandonado e precisa ser melhor desenvolvido junto com o que se discute em relação à Estrada da Rhodia que em seu final também tem a Mata do Quilombo que, apesar de tombada, também foi abandonada. “É importante levantar que a Fazenda Rio das Pedras ela tem 250 anos com registros de 1779. e que deu origem a todo o território de Barão e parte de Paulínia. Por isso a importância dela, que data da origem de Campinas e era fundamental que ela já tivesse sido estadualizada“. Na verdade era ela quem deveria ter sido comprada pela Unicamp para fins de uso e preservação tanto por motivos ambientais como históricos e culturais. Mas ninguém falou com a Unicamp antes da compra.” – disse ele (explicando que quem fez a compra da Fazenda Argentina foi o atual secretário da Educação Tadeu Jorge, que era reitor da Unicamp. Warney disse que conversou com Tadeu que disse que ninguém o procurou antes da compra e decidiram pela “contiguidade”)
Ele disse que, em nome da Comissão de moradores Pró Memória de Barão, pediu para que no espaço do PIDS fosse feito algum empreendimento que guardasse a história e memória de Barão Geraldo (e da próp´ria Unicamp) como a proposta de se fazer um “Museu a Céu aberto” para as gerações futuras, para as pessoas que irão visitar todos esses lugares e conhecerem o que vem se perdendo cada vez mais. “Eu sei que a questão ambiental é mais importante mas nós queremos pedir uma atenção especial nesse projeto para a necessidade de serem apresentados, de forma permanente, fatos e fundamentos da História de Barão Geraldo, como por exemplo o prédio da Estação que deu nome ao distrito, o sobrado construído pelo Barão Geraldo em 1870 e que já tem 150 anos, da Fazenda Rio das Pedras, etc de serem preservados e mostrados para as próximas gerações e para o turismo etc.” – declarou e entregou um abaixo assinado por escrito.
Marta : necessidade de apreentação de estudos anteriores e de uma “operação urbana”
Também a moradora …. Dira Marta (?) questionou sobre se há estudos de impactos de um empreendimento desse porte na área consolidada de Barão e no entorno. Ela também ressaltou porque o jornal saiu no dia da reunião demonstrando que o Correio tem interesse nesse empreendimento: “É isso! Não somos trouxas!” Ela ressaltou que, desde o CIATEC, já existem diversos estudos desses impactos e que agora a prefeitura juntou mais 5 km2 ao que ja existia antes.
Também lembrou que durante as discussões do Plano Diretor tanto a população exigiu como os próprios técnicos da Prefeitura concordaram que não havia a menor necessidade ampliar o perímetro nos distritos, porque havia muita área dentro do perímetro urbano que pode e deve ser utilizado. “Então pra que esses “100 milhões de m²” a mais se não há necessidade de expandir. E eu discordo dessa área ser acrescentada“. Uma preocupação especifica com a Estrada da Rhodia que não comporta mais trânsito devido ao tráfego para os diversos condomínios e moradias. “O que ja existe lá em cima , já impacta a Estrada da Rhodia e ela vai ficar assim?”
Ela propôs que se quiserem fazer um plano decente deveriam fazer uma “operação urbana” com representantes dos empresários, do Poder Público e da população envolvida, monta-se um grande conselho que vai discutir as questões da área e também haverá um Fundo de Recursos pra trazer melhorias para essa população envolvida com a área do projeto. “Exemplo disso ja teve e já conseguimos um monte de coisas como contrapartida. Alguém disse que isso não era possível e que então gostaria de saber porque não poderia” – declarou
“Sabe o que é isso? É gente querendo ganhar dinheiro com um novo empreendimento . Só isso! Não tem interesse econômico nenhum para a cidade. Mas só tem interesse para um grupo econômico da cidade. (…) Existe um estudo que aponte a necessidade de ampliação daquele perímetro urbano naquele local? E também precisamos de conhecer todos os estudos que foram feitos para se chegar nesse projeto maravilhoso“.
Além desses, uma professora da Pucc de nome Márcia, também moradora – que não ficou audível na gravação e não conseguimos entender e uma outra senhora também se pronunciaram. A professora Márcia praticamente repetiu questões colocadas anteriores, como problemas com trânsito nas ruas do CPqD e CNPEM e nas entradas da PUcc e Unicamp….
E outra moradora há 40 anos em Barão (não conseguimos guardar o nome) disse que ficou incomodada porque considera que a afirmação de que a proposta apresentada pela Seplubr de “ser testada em várias partes do no mundo não é uma referência e contou sua experiência de ter morado em uma cidade universitária da Pennsylvania nos EUA e que não tinha nenhum prédio. “E eu voltei lá 20 anos depois e a cidade tinha crescido bastante, claro, mas a cidade universitária continuava a não ter prédio. Então onde são esses lugares? ” Segundo ela disse, ficou admirada com a proposta de que entre os prédios haveria um arranha céu como “cartão postal” e disse “Gente, que isso? Cartão Postal é mato, é bicho e não predio!” (e foi muito aplaudida nisso) . E por fim disse que concordou com a Conselheira Ana Paula de que Barão Geraldo está abandonado! “Estou hoje com 77 anos e tenho medo de enfrentar o trânsito que esta aqui agora! Na rua que em vim morar aqui ha 40 anos que só tinha 5 casas, hoje não tem um terreno vago! ENtão porque essa expansão? Barão mudou muito e eu sozinha , não sabemos o que fazer para impedir isso.”

o professor Marco Aurelio Lima – aposentado do IF- Unicamp – falou do início do HIDS na Unicamp do qual participou e fez propostas
O INÍCIO DO PROJETO HIDS (que é parte do território do PIDS)
Finalmente quem falou por último foi o professor aposentado da Unicamp, Marco Aurélio Pinheiro Lima, participou do encontro em Barão Geraldo e relatou à comunidade que o projeto nasceu dentro da universidade, a partir do projeto para o HIDS, e foi encampado pela Prefeitura para incluir a área do polo de tecnologia já existente na região. Coordenador da criação do HIDS, ele lembrou que a Unicamp (por estar entre as melhores universidades da América Latina e se destacar mundialmente), tem o desafio de buscar contribuir com modelos sustentáveis para o desenvolvimento da sociedade.
O estudioso também afirmou que o HUB (e com ele o PIDS), buscam atender os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), do qual o Brasil é signatário. Por isso, sugeriu que o nome do projeto fosse modificado para Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável de Campinas (PIDS), mostrando a ação clara na aplicação desses conceitos. A sugestão foi prontamente recebida pelas secretárias municipais presentes e deverá ver incorporada por sua justificativa prática do que é pretendido pelo projeto para o polo.
Pacheco explicou que para a construção do polo, o modelo urbanístico une a implantação de novos modelos de moradia, de negócios na área de ciência e tecnologia, serviços, lazer e cultura com parâmetros inovadores apoiados na sustentabilidade. A mudança do zoneamento que apenas permite empreendimentos para uma zona mista é a base para a construção do ecossistema de inovação para a gestão daquele território.
HUB e Polo
A secretária Carolina Baracat avaliou como muito importantes as preocupações levantadas e disse que as contribuições foram elencadas e serão avaliadas pela equipe da Seplurb.
O PIDS cobre uma área de 17 milhões de metros quadrados do Distrito de Barão Geraldo. Abrange o Polo de Alta Tecnologia e sua zona de expansão, os campi da Unicamp e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Campinas). A área inclui o HUB Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS) da Unicamp, com seus 11 milhões de metros quadrados compreendendo a Fazenda Argentina. O restante pertence a particulares e entidades, como a área onde está localizado o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), com o acelerador de partículas do Laboratório Nacional de Luz Sincrotron.
“A parceria com a Unicamp e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Campinas) foram e são fundamentais para a concepção e o desenvolvimento do polo. Mas precisamos unir todos os setores da comunidade para colocar em prática esse novo modelo de urbanização”, explicou a secretária.
Consulta pública já está aberta on line até 14/1
Segundo a SEPLURB a proposta do PIDS ficará disponível no site da Prefeitura aberta para receber contribuições da sociedade até o dia 14 de janeiro de 2023. A Secretaria também já disponibilizou no portal a proposta inicial para a legislação e implantação do Polo de Inovação e Desenvolvimento Sustentável de Campinas (PIDS). O texto do Projeto de Lei Complementar (PLC), a apresentação sobre os modelos urbanísticos e parâmetros de ocupação do território e um formulário para envio de contribuições da comunidade podem ser acessados no link https://portal.campinas.sp.gov.br/secretaria/planejamento-e-urbanismo/pagina/pids-polo-de-inovacao-e-desenvolvimento-sustentavel.
Até 14 de janeiro de 2023, a proposta do PIDS ficará disponível no site da Prefeitura e aberta para receber contribuições da sociedade. Serão 60 dias de consulta pública e recebimento de sugestões via formulário eletrônico pela internet ou diretamente no protocolo na Prefeitura. Em 24 de janeiro do próximo ano está agendada uma Audiência Pública para a apresentação da proposta e das contribuições enviadas à Seplurb durante a consulta pública. A convocação para a Audiência Pública foi publicada nesta quinta-feira, 17 de novembro, nas páginas 18 e 19 do Diário Oficial do Município e está acessível em https://portal-api.campinas.sp.gov.br//sites/default/files/publicacoes-dom/dom/400633886411388644006317.pdf.
“O Polo de Inovação e Desenvolvimento Sustentável de Campinas, o PIDS, está localizado em uma área do Distrito de Barão Geraldo que se caracteriza como única. É uma região especial, onde já estão organismos e empresas voltados para ciência, tecnologia e inovação”, explica a secretária municipal de Planejamento e Urbanismo, Carolina Baracat Lazinho. “Não estamos tratando apenas de nova lei que permitirá o desenvolvimento imobiliário, ao contrário, é a base para permitir um modelo de urbanismo inovador, um polo tecnológico com menos trânsito, mais contato com a natureza e a preservação do meio ambiente, e estímulo à convivência em espaços públicos. Está em sintonia com a sociedade do conhecimento, combinando com a presença das universidades em Barão Geraldo e com os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU)”, afirma.
Na semana passada, a equipe de Planejamento e Urbanismo que trabalha na criação do PIDS realizou quatro encontros com diversos setores da comunidade para apresentar o projeto de lei. Na segunda-feira, dia 7/11, a reunião foi com os vereadores na Câmara Municipal. Na terça, 8/11, com membros do Conselho do HUB Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS) da Unicamp e proprietários de áreas do Distrito de Barão Geraldo situadas no polo, no auditório da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI). Na quarta-feira, 9/11, no Salão Vermelho do Paço Municipal, a proposta foi apresentada para os membros dos conselhos municipais.
O polo
A proposta de mudança no zoneamento para a criação do Polo de Inovação e Desenvolvimento Sustentável de Campinas (PIDS) visa ampliar a urbanização da área de 17 milhões de metros quadrados localizada no distrito de Barão Geraldo. Com a alteração da permissão de ocupação de parte daquele território para Zona Mista (ZM) – hoje definida como Zona de Atividade Econômica (ZAE) – seriam permitidas atividades econômicas comerciais ao lado de residências. Assim, seria possível fomentar um ecossistema de troca e convívio para trabalhar, morar, ter lazer em que os profissionais da área de ciência, tecnologia e pesquisa possam manter uma rede de contatos no próprio ambiente em que vivem.
O projeto está sendo gestado desde 2018, a partir das diretrizes do Plano Diretor de Campinas definidas pela comunidade em 2018, em que área coberta pelo PIDS é um dos três Polos Estratégicos de Desenvolvimento do município. Sua implantação está prevista para ser realizada ao longo das próximas três décadas, atraindo empresas de tecnologia da informação e de desenvolvimento e pesquisa para Campinas. Com isso, o município ampliaria a geração de novos negócios e de empregos com alto de nível de especialização, melhores remunerados.
Além da ocupação mista na zona de centralidade do polo, a proposta prevê a criação do Parque Ambiental Anhumas, em uma área de preservação ambiental ao longo do ribeirão que corta a região. Também está prevista a ampliação das diretrizes viárias para estimular o transporte público e modais sustentáveis, como as ciclovias e ciclofaixas, e estímulo ao pedestre.
O PIDS abrange o Polo de Alta Tecnologia e sua zona de expansão, os campi da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Campinas) e inclui o HUB Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS) da Unicamp, com seus 11 milhões de metros quadrados compreendendo a Fazenda Argentina. O restante pertence a particulares e entidades, como a área do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), onde está instalado o acelerador de partículas do Laboratório Nacional de Luz Sincrotron.
(AB)

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