Pavão Cultural abre mostra “Grassmann Presente” sobre o centenário do artista (ABRA E VEJA ALGUMAS OBRAS)
O Instituto Pavão Cultural abriu nesta quinta , 24/4 a mostra “GRASSMANN PRESENTE – 100 ANOS DE MARCELO GRASSMANN” sobre o artista gráfico Marcelo Grassmann que estaria comemorando 100 anos este ano. E para celebrar foi elaborada uma extensa programação com a organização do Núcleo de Estudos Marcello Grassmann que preserva e divulga a obra do artista nascido em São Simão, no interior de São Paulo. A curadoria é do artista visual e professor Sérgio Niculitcheff e a organização fica por conta do Gabinete de Estampas da UNICAMP e do Instituto.
A força poética dos traços de Marcelo Grassmann ganha destaque em uma exposição especial dedicada ao centenário do artista, que será inaugurada nesta quinta-feira, 24 de abril, às 19h, no Instituto Pavão Cultural, em Campinas. A mostra apresenta ao público um recorte do acervo do Gabinete de Estampas da Unicamp, reunindo desenhos e gravuras que exploram o imaginário fantástico de Grassmann — povoado por seres míticos, figuras oníricas e atmosferas de mistério.


“Detentor de uma riquíssima produção, imersa em uma iconografia singular recheada de criaturas míticas; guerreiros, donzelas e animais; evolui nessa temática. As cenas idealizadas são compostas com uma aura de estranhamento, onde estão presentes figuras instigantes ambientadas em um clima incerto, um “não lugar” sublime e atemporal. Estas imagens suscitam uma atmosfera lírica e misteriosa que nos remete a cenas medievais, proporcionadas pela delicadeza da gestualidade de seu traço expressivo“, afirma Sérgio Niculitcheff em seu texto crítico da mostra.
O primeiro evento das comemorações do centenário é a mostra “O Gabinete de Marcelo Grassmann”, com curadoria de Luiz Armando Bagolin, que segue até 25 de maio de 2025 no Museu Lasar Segall (Ibram/MinC), no bairro da Vila Mariana, em São Paulo.
Coleção faz parte do acervo de Artes da Unicamp
O Gabinete de Estampas: Departamento de Desenhos e Gravuras da UNICAMP, é um espaço de salvaguarda e pesquisa da coleção de gravuras do Instituto de Artes da UNICAMP, em parceria com a Biblioteca Central César Lattes, localizada na Universidade Estadual de Campinas. O Gabinete de Estampas, que teve suas origens no Centro de Pesquisa em Gravura (CPGravura) do Instituto de Artes, em 1997, com apoio da FAPESP. O centro construiu um acervo ao longo de seus vinte anos de existência, possuindo obras de relevantes artistas brasileiros que figuram no cenário artístico contemporâneo.
Hoje a coleção do Gabinete que incorpora o acervo do CPGravura conta com ampliações, através da aquisição da coleção de gravuras de Marcello Grassmann (apoio FAPESP), a recente doação realizada pelo Ateliê Glatt Ymagos de São Paulo, bem como doações particulares disponibilizadas pelos próprios artistas e/ou colecionadores, totalizando cerca de 800 gravuras em sua coleção. O Gabinete de Estampas busca ser um espaço de encontros que mobiliza diversas áreas de conhecimento, nos seus processos de preservação, conservação, pesquisa e educativo, difusão e exposição, sendo um ponto de encontro entre as artes, a história, a filosofia, a educação, a Museologia, a curadoria, envolvendo o público
interessado e expandindo-se para a comunidade.
https://www.iar.unicamp.br/gabinetedeestampas/


Biografia do artista
Marcelo Grassmann nasceu em São Simão, no estado de São Paulo no ano de 1925. Sétimo filho dos nove que a professora D. Elpídia de Lima Brito teve com seu marido Otto Grassmann. A família permanece na cidade até 1932 quando se muda para a capital, São Paulo. Chegando em janeiro, acompanharam toda a movimentação da Revolução Constitucionalista até
mesmo os bombardeios ao Campo de Marte, fundos da casa da família na rua
Voluntários da Pátria, Zona Norte da cidade. Permaneceram em Santana até a transferência de D. Elpídia para Vila Clementino entre 1934 e 35. Marcello neste período dividia a escola com
as revistas em quadrinhos e olhava do alto o fim da rua para o vale por onde passava o bonde Santo Amaro, com o matagal ladeando a passagem.
Nessa ocasião já reconhecia quase todos os desenhistas das histórias em quadrinhos publicadas na época. Marcello diz que sua obsessão não era tanto pelas histórias, mas pelos vários estilos em que os desenhos eram feitos: “Ainda em São Simão ficávamos fascinados pelas imagens e histórias do Tesouro da Juventude. Então apareceram os suplementos infantis, algumas tentativas nacionais de desenhos tipo Tico-Tico que eram historietas baseadas em protótipos europeus e americanos, porém com uma temática nacional, e nesta salada de estilos e figuras imaginativas a criança que fui ficava fascinada pela movimentação das imagens”.
Uma transferência de D. Elpídia levou a família para um novo endereço, rua Cônego Eugênio Leite, zona oeste da cidade, a dois quarteirões do Cemitério São Paulo no ano de 1938. Os caminhos do menino passavam por onde ficavam as oficinas dos escultores de túmulos e mesmo dentro do cemitério onde uma miscelânea de esculturas desde Victor Brecheret até os acadêmicos mais chatos foram parte da sua formação. A mãe, professora, conhecia o diretor do Instituto Profissional Masculino onde havia os cursos de orientação profissional para jovens que tivessem acabado o primário e começassem a procura de uma carreira ou aprendizado, técnico ou artístico. Como não havia um curso de escultura propriamente dito, Marcello opta pelo entalhe que na época lhe pareceu mais próximo. Furtivamente frequentava as aulas de pintura e escultura. Deste período ficaram os amigos Octavio Araújo e Luís Sacilotto.
Terminado o Instituto, formado e desempregado. O desencontro entre o ensino e a realidade da profissão de entalhador deixaram Marcello com uma nova procura, a expressão artística conjuntamente com a ampliação de interesses. De 1939 a 1942 duas exposições marcam os jovens egressos do
Instituto Profissional Masculino: artistas franceses impressionistas, modernos, contemporâneos e românticos, na segunda pintura abstrata. Nesta altura os jovens já têm contato pessoal com artistas do modernismo brasileiro: Bonadei e Flávio de Carvalho. A década de quarenta avança trazendo a primeira exposição no Rio de Janeiro, em 1949 muda-se para esta cidade onde frequenta as aulas de Henrique Oswald. Em uma individual sua conhece pessoalmente Oswaldo Goeldi de quem admirava o trabalho desde os tempos do Instituto, via suas ilustrações para o Suplemento Literário do jornal A manhã do Rio de Janeiro. 1951 chega, os jovens Marcello, Aldemir (Martins) e Franz (Franz Krajcberg) trabalham como operários na montagem da primeira Bienal de São Paulo participando também com suas obras, a Marcello é dedicado o prêmio aquisição. Finda a Bienal segue para a Bahia com Mario Cravo que conhecera no evento, esperando por eles algo como vinte pedras litográficas, presente ao artista baiano de Cicillo Matarazzo. Conhecedor dos rudimentos desta arte, aprendida com Poty em 49 no Liceu do Rio de Janeiro, mesmo sem prensa as pedras são usadas e impressas com colher, como xilogravuras.
1954 quando finalmente chega o dinheiro da bolsa, ganha em 1952 no Salão Nacional, segue para o velho continente. Quarenta litografias, dois cadernos e dois anos depois volta ao Brasil. Mora em Santo Amaro, próximo ao Cemitério Campo Grande. Lá Marcello desenvolve a maior parte de sua obra de desenhista e gravador. Forma dois irmãos impressores, Otto (falecido) e Roberto. Participa de outras Bienais nacionais e internacionais, expõe também dentro e fora do país. Em 1979 é inaugurada a Casa de Cultura Marcello Grassmann onde moravam seus avós em São Simão. Muda-se para sua chácara na grande São Paulo em meados dos anos oitenta. Várias são as exposições, individuais e coletivas neste período. Reconhecido como o mais proeminente gravador e desenhista nacional corre o mundo com seus trabalhos.
Na Pinacoteca do Estado de São Paulo está o maior conjunto de suas
gravuras compradas em 1969 pelo governador Abreu Sodré. Destacam-se as
exposições em comemoração aos 25 anos de gravura no MAM\ SP (1969), 40
anos de gravura, Pinacoteca do Estado de São Paulo (1984). O mundo
Mágico de Marcello Grassmann em comemoração aos seus 70 anos, MASP \ SP
(1995). Marcello Grassmann, desenhos. Instituto Moreira Salles, SP\RJ\MG
(2006). Sombras e sortilégios, MON \ Curitiba, PR (2010). Segue
trabalhando até sua morte em junho de 2013.
Belo Horizonte, São Simão e São Paulo
Posteriormente, acontecem as exposições “Centenário Marcello Grassmann e homenagem de Rubens Matuck ao mestre amigo” – FESTIVAL DE INVERNO, em julho, no Centro Cultural UFMG – Sala Renato de Lima, em Belo Horizonte; na Casa de Cultura Marcelo Grassmann, em São Simão, no interior de São Paulo e, para finalizar, ambas em setembro, no loft do Pedro Hiller – o maior colecionador de obras do Marcelo Grassmann, em São Paulo.


Sobre o Núcleo de Estudos Marcello Grassmann
Marcello Grassmann é reconhecido como um dos protagonistas das artes
gráficas no Brasil, assim, exemplificam os muitos prêmios que lhe foram
atribuídos nos mais de 70 anos de atividade. Estudá-lo, significa,
portanto, dar visibilidade a uma parte significativa da arte brasileira:
a gravura e o desenho. A obra grassmanniana se faz presente em museus
brasileiros, internacionais e coleções particulares, uma parcela dela
permaneceu em propriedade do artista durante toda sua vida. São estes os
que chamamos de os Grassmanns de Marcello.
Esse singular acervo foi legado a Ana Elisa (Zizi) Baptista, gravadora e
companheira do artista por 17 anos, que decidiu não apenas preservá-lo,
mas também ampliá-lo por meio de aquisições totalizando aproximadamente
1000 obras, incluídos também entalhes, matrizes, ferramentas e objetos
pessoais, além da biblioteca particular do artista e livros com
referências a este e sua geração.
O “Núcleo” é uma instituição sem fins lucrativos e tem como objetivos
preservar a memória do artista, promover a pesquisa da obra
grassmanniana por meio de mesas de estudo, debates, gravação de
entrevistas, como também a difusão de seu acervo através da publicações
de livros e exposições cumprindo um importante papel às artes gráficas
brasileira. https://www.nucleomarcellograssmann.org.br
Sobre o Pavão Cultural
O Instituto Pavão Cultural é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, dedicado a exposições e projetos culturais voltados para artes visuais, artes cênicas, arquitetura, música, e atividades educativas para crianças, jovens e adultos. Aberto em março de 2019, o espaço permite várias possibilidades de interação e estrutura para receber manifestações artísticas, culturais, de vivência e lúdicas. Conta também com equipe de expografia, montagens, visitas mediadas e oficinas artísticas. Com o objetivo de facilitar o acesso ao nosso acervo de realizações, nós o disponibilizamos permanentemente aqui, com imagens, memórias e novas leituras. Também buscamos um caminho mais diverso e inclusivo, com propostas que contemplem nossa comunidade local e virtual. https://pavaocultural.org.br/




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