Festas do Boi Falô e “Fecha Corpo” de 2026 serão como nos anos anteriores
A 22ª edição da festa do Fecha Corpo será realizada nesta sexta-feira, 3 de abril, a partir das 10h, na Rua Ângelo Vicentin, em frente ao bar e restaurante Toca do Tatu. No mesmo dia será realizada a 30ª Festa do Boi Falô na chamada “Praça do Côco”
O principal destaque da festa do Fecha Corpo é a distribuição gratuita de uma cachaça artesanal fermentada com 7 ervas durante a Quaresma e benzida com orações. A receita centenária simboliza proteção contra doenças e más energias, tradição originária da cidade de Monte Alegre do Sul onde surgiu o “Fecha Corpo”, e que mantém viva a identidade cultural do evento.
Este ano 2026 o Fecha Corpo terá shows com os artistas Danilo Furtado, Henrique Menezes, a dupla Ângelo Máximo e Giovanni e de Boiadeiro e Capiau e apresentação será do locutor MIltinho Jorge.
Além de bebidas, o Fecha Corpo também venderá brindes como canecas, camisetas e mini garrafinhas com algumas doses da mesma cachaça preparadana Quaresma.
Organizada pelos proprietários do Toca do Tatu, Edenilson Constante Grilo e Meire Porto, com o apoio de moradores e voluntários da região, a festa conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campinas. “É um dia para as pessoas se divertirem, encontrar velhos amigos e celebrar a alegria, a paz e tranquilidade e a união e a cachaça serve para alimentar seu espírito e renovar as esperanças e a fé numa vida mais tranquila durante o ano” – disse Edmilson, mais conhecido como “Tatu”.

FESTA DO BOI FALÔ SE MANTEM COMO NOS ANOS ANTERIORES (leia versões)
A 30ª Festa do Boi Falô será na sexta-feira Santa, 3 de abril, às 10h, na praça Irmã Carmela Stucchi , mais conhecida pelo nome da lanchonete “Praça do Coco” que dá nome à praça, na rua Manoel Antunes Novo. e terá praticamente a mesma programação dos anos anteriores com o grupo de teatro de Ton Crivelaro com sua versão autoral de uma das versões da lenda e uma programação cultural diversificada, com apresentações musicais, oficinas e a famosa macarronada de queijo com pratos servidos de graça à população, a partir das 11h30. O evento é organizado pela Subprefeitura com o apoio de moradores do distrito e conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
10h as 1 1h- Tom Crivelaro
11h as 12h – Caixeiras das nascentes
12h – benção do macarrão pelo padre da paroquia Santa Isabel
13h as 14h – Ulisses Junior
14h30 as 16h30 – Pedro Gava
PRINCIPAIS VERSÕES DA LENDA
A festa, celebra uma das versões da lenda mais conhecidas na região como foi sempre muito divulgada pelas midias de Campinas, a lenda criada a partir de 1988, data da 1ªFesta para marcar o centenário da Abolição da Escravatura no Brasil. Essa versão, de origem dos movimentos negros e da parte sul de Campinas considera que em 1888 um escravo da Fazenda Santa Genebra, de nome Toninho, foi mandado buscar um boi que estava deitado num pasto para trabalhar com arado e quando la chegou o boi teria falado que na Sexta Santa , que celebra a morte de Jesus Cristo, não era dia de trabalhar. Assustado, o escravo teria voltado e falado para um capataz que tambem foi ao local e o boi repetiu a frase. Essa versão incluiu posteriormente a intervenção do próprio Barão Geraldo que teria “aceito” a fala do escravo e o levou para trabalhar em sua casa.
Mas inspirados numa versão da lenda tradicional de Barão – tradicional porque foi passada de geração em geração – uma Comissão Pró Memoria de Barão Geraldo de moradores do Distrito exigiu que também fosse respeitada a versão original que não tinha data nem nome específico. Segundo a versão tradicional , um capataz da Santa Genebra teria mandado um trabalhador (algumas versões falam que era um menino, que foi com seu cachorro) ir buscar um boi que ficou deitado no “Capão do Boi” (antigo pequeno bosque que havia logo na atual “entrada” de Barão Geraldo) e quando ele bateu no boi para ele se levantar o boi teria dito: “Hoje não é dia de trabalhar! É dia de Nosso Senhor” E o menino voltou correndo com seu cachorro gritando que o boi teria falado . O Capataz então insistiu e voltou ao local com o menino e o boi voltou a falar o mesmo. E ambos deixaram o boi quieto e voltaram assustados e todos tiveram que respeitar aquele dia.
Vários Historiadores sobre esse caso já disseram que a Semana Santa era de todas as tradições católicas a mais respeitada por todos em Campinas e região, principalmente pela grande maioria dos proprietários rurais (como o próprio Barão Geraldo , católico e extremamente conservador que sempre exigia de seus empregados que respeitassem a fé católica). Posteriormente, os movimentos recuperaram uma foto do capataz Toninho , braço direito do Barão Geraldo desde que este assumiu a fazenda em 1870, atribuindo a ele como o principal protagonista da lenda, que ele mesmo teria dito que o boi falou , como um protesto contra a escravidão e resistência ao “patrão”. E por isso teria sido enterrado ao lado do patrão no Cemiterio da Saudade. Porém segundo vários pesquisadores, até o final dos anos 1980 o Toninho fotografado em sua velhice era bastante famoso como “benzedor” em sua vida e passou a ser cultuado a partir de meados do século XX em seu túmulo no cemitério e teria ajudado centenas de pessoas a alcançar suas graças, e que manifestaram isso em seu proprio tumulo. No entanto, ninguem falava de sua relação com o Boi FaLô que só era conhecida e desprezada em Barão Geraldo e só passou a ser conhecido em Campinas a partir de reportagens na midia local dos anos 1970-80.
(Conforme o proprio Jornal de Barão ja publicou ha muitos anos VEJAM: https://jornaldebarao.wordpress.com/2019/04/17/os-registros-originais-do-boi-falo-1-joluma-brito-1973/)
AB


companhia de Teatro do ator Ton Crivelaro apresenta uma versão teatral da lenda, (foto de Firmino Piton do arquivo da festa de 2025 -PMC



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